Boletins

O Círculo do Mau-Humor

 

Por: Marco Fabossi (*)

 

O presidente da empresa gritou com o diretor por não gostar do resultado apresentado.

 

O diretor, então, chateado, chegando em casa, quando viu o bom e farto jantar à mesa, gritou com sua esposa, acusando-a de esbanjar e gastar demais.

 

Sua esposa, por sua vez, gritou com a empregada que quebrou um prato ao assustar-se com o grito do patrão.

 

A empregada acabou descontando sua raiva chutando o cachorrinho que rondava a cozinha.

 

O cachorrinho saiu correndo pela porta e, assustado, mordeu uma senhora que passava pela rua.

 

A senhora foi à farmácia para tomar vacina e fazer um curativo, e porque a injeção doeu ao ser aplicada, gritou com o farmacêutico.

 

O farmacêutico, ao chegar em casa, gritou com sua mãe porque o jantar não estava do seu agrado.

 

Sua mãe então afagou os seus cabelos, beijou-o na testa, olhou-o nos olhos, e disse:

 

– Filho, eu prometo que amanhã farei o seu prato favorito. Você trabalha muito, está cansado e precisa de uma boa noite de sono. Vou trocar os lençóis da sua cama por outros bem limpinhos e cheirosos para que você descanse em paz. Amanhã você vai se sentir bem melhor.

 

Naquele momento, a tolerância, a perdão e o amor romperam o círculo do mau-humor.

 

É muito comum ouvirmos frases do tipo “Fulano me deixa irritado”, “Esse tipo de situação me tira do sério”, e muitas outras que, inconscientemente, nos trazem a ideia de que o ambiente, as pessoas e as situações é que determinam o meu estado de humor e, naturalmente, por entendermos que não somos diretamente responsáveis pelo que estamos sentindo, deixamos que a emoção nos domine e, quando percebemos, o “estrago” já está feito.

                                                                                                      

Sabe o que isso significa? Falta de Inteligência Emocional. Quando converso com líderes sobre Inteligência Emocional, alguns deles comentam: “Ah, eu não consigo me controlar. Quando eu percebo, já gritei, xinguei, coloquei a pessoa para fora da sala, bati a porta, virei as costas…”, e por aí vai o vasto repertório… Então, eu pergunto: “Com quem você tem este tipo de reação?”, e a resposta está sempre relacionada a subordinados ou pessoas em posições hierárquicas equivalentes ou inferiores.

 

Finalmente, eu pergunto: “E com seus superiores, você age da mesma maneira? Você tem as mesmas reações e os mesmos chiliques com seu chefe?”. A maioria dos líderes apenas comprime os lábios, reflete por alguns segundos e responde: “Com meu chefe eu não faço isso”. Quando queremos, todos nós somos capazes de controlarmos nossas emoções.

 

Por isso, Inteligência Emocional é a capacidade de conduzirmos nossas emoções de forma que trabalhem a nosso favor e nos levem mais perto de nossos objetivos, portanto, quando perceber que suas emoções estão tentando “colocar as manguinhas de fora”, pergunte-se: Qual é o meu objetivo? Essa atitude me coloca mais perto ou me afasta dos meus objetivos?

 

Essas perguntas vão ajudá-lo a se treinar a manter o seu racional funcionando e a colocar seu foco nas atitudes que o conduzem em direção ao seus objetivos, e adicionalmente, também irão ajudá-lo a não se deixar dominar pelas emoções.

 

Lembre-se, temperamento não é um destino, mas uma escolha, portanto, controlar suas emoções é, mais do que tudo, uma decisão.

 

(*) Marco Fabossi é Conferencista, Escritor, Consultor, Coach Executivo e Coach de Equipe, com foco em Liderança. Sócio-diretor da Crescimentum – Alta Performance em Liderança, que tem como missão: Construir um mundo melhor, transformando pessoas em líderes extraordinários“.